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Invisible Girl Daily

Sou do tipo de pessoa que molha a casa depois da banho, come doces antes do almoço, briga com amigos as vezes sem razão, come toda a pipoca durante os trailers, erra, mas afinal quem é perfeito? Aproveite a vida enquanto a tempo.

Invisible Girl Daily

Vivendo com Ansiedade

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Lembro-me perfeitamente quando me deparei com a ansiedade...

Foi mesmo antes do começo do 2º ano de faculdade que este bichinho se deu a conhecer. As insónias sempre as tive mas nunca as relacionei com a dita cuja. Foi aqui que passadas 2 semanas mal dormidas, quase 2h por noite e nunca de noite, em pleno Agosto que lá veio uma gastroenterite nervosa mais uma ida à médica de família e mais uns calmantes, que nada fez e mais uma semana se passou no meu festim até ter mesmo de ir ao hospital e lá com tranquilizantes a situação melhorou.

 

Desde aí a ansiedade tornou-se parte da minha vida e lidar com ela nem sempre é fácil, embora já lhe conheça os sinais. A ansiedade ainda não é bem aceite nos nossos dia-a-dia, nem pelas pessoas à nossa volta. Sempre se irá ouvir "és muito nova para isso", "não tens motivos para estar assim", "toma um calmante que isso passa", não é assim tão fácil. Não tenho crises de ansiedade porque quero ou porque gosto, medicamente falando também não há cura ou milagre que resolva.

 

Ainda não sei bem lidar com as crises, e muito menos as controlar... tem sido um processo muito lento. O pânico ainda se apodera de mim mais vezes do que gosto de admitir, o medo irracional, a falta de ar e o descontrolo nos meus pensamentos e os malditos tremelicos.  Será que pegar no telefone e não ir trabalhar hoje seria a melhor solução? Sair da cama num dia assim, será que vale a pena, seria tão mais simples não sair da cama. Há dias assim não vos vou mentir mas acabo sempre por levantar e ir. Embora confesse um pouco com vergonha que às vezes um cigarro é o único que me ajuda a aguentar.

 

Valorizo muito a minha saúde mental mas ainda não consegui tirar o meu devido tempo para apenas ser eu e estabilizar. Sinto a ansiedade desta vez aqui presente meio que a espreita e que tem atacado dia sim, noite sim, e um descanso por alguns dias. Estou mesmo a sentir o corpo a quase se render a quase a ligar a luz de urgente parar.

 

Se estou a fazer mal? Estou, estou como que a brincar com o que a minha mente que suavemente me vai dizendo até ao dia que ela me obrigue de vez a parar. Cada dia apenas me levanto e às vezes até me sinto em piloto automático, acordo com o desejo incontrolável que o dia apenas acabe. Sinto que estou mesmo a precisas de parar e apenas ter tempo para respirar e voltar ao meu equilíbrio, só que vou adiando essa paragem e não sei até quando a minha mente o irá permitir. 

Parar é fundamental mesmo sendo complicado o fazer, sinto a paciência a desvanecer para certas coisas. O dia a dizer "respirar e não pirar". Mais do que isso é conseguir ignorar os zuzus que muitas vezes me rodeiam, palavras que são lançadas para o ar e que mesmo sem significado remoem e me deixam intrigada e até mesmo preocupada.

 

Os ditos conselhos médicos, que sempre são fáceis de dar mas não de praticar, tirar um tempinho todos os dias para fazer algo que nos alimente a mente, que gostemos e não esquecer de respirar e não pensar tanto. Não tenho tido muita sorte, mas lá está cada pessoa tem de encontrar a maneira de conseguir atingir o equilíbrio. Uma das fases mais importantes e que essa já consegui atingir passa pelas pessoas que nos rodeamos e como o nosso porto de abrigo pode minimizar a ansiedade e os sintomas. Mas um dia de cada vez que bem sei que faço o meu melhor.  Há dias bons no meio disto tudo, também dias de irritabilidade pura, e dias sem que nada aconteça, apenas ser um dia normal.

 

Mais que tudo sei que devo ouvir o que o meu corpo que subtilmente me diz e descobrir o melhor mecanismo para lidar com o dia a dia e a maldita ansiedade.

 

Se estás na luta olha eu também mas como o velho ditado diz "depois da tempestade vem a bonança", haja esperança de um dia melhor, de um dia mais leve e que os nossos pensamentos deixem de ser preocupações antecipadas ou de algo que não está ao nosso alcance resolver ou mesmo de coisas passadas.

 

Que um dia possa dizer, que sim vivo com ansiedade mas ela e eu somos velhas amigas e nos entendemos.